
O consumo de gás de cozinha no Brasil caiu 2,52% em 2022 e registrou a pior marca em dez anos, informou nesta terça-feira 7 o Observatório Social do Petróleo.
Em 2022, o Gás Liquefeito de Petróleo alcançou dois recordes: chegou ao seu maior preço real e teve o menor consumo por pessoa no Brasil neste século. A entidade apontou que o GLP foi vendido no ano passado a uma média de 109,86 reais. Este é o valor mais alto desde 2001, quando teve início a série histórica de preços medida pela Agência Nacional do Petróleo.
“O consumo per capita de GLP no Brasil manteve-se mais ou menos estável entre 2007 e 2017. A partir de 2018 começa uma tendência forte de queda – a exceção foi apenas o ano de 2020, no auge da pandemia, quando houve um aumento forte da demanda por por gás de cozinha no mundo inteiro”, analisa o economista Eric Gil Dantas, do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais.
Segundo Dantas, entre 2007 e 2017 se consumiu em média 46,94 m³ a cada mil habitantes, número que em 2022 caiu para 43,52 m³. “O principal fator explicativo para isso é o preço. Se compararmos os mesmos períodos, veremos que o preço real (descontada a inflação) de 2022 é 49% superior à média de 2007-2017”, completa o economista.
Um dos responsáveis pelo aumento dos preços do gás de cozinha é o Preço de Paridade de Importação, política adotada pela Petrobras desde o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) que vincula o preço dos combustíveis e dos derivados às alterações do mercado internacional e aos custos de importação.
A partir de 13 de fevereiro, o governo federal voltará a disponibilizar o Auxílio Gás. Com a aprovação da PEC da Transição, o programa pagará 100% do valor médio do botijão de gás para os beneficiados.